quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Quatro mentiras e uma verdade sobre o câncer de mama

No Brasil, 79 de cada 100 mil mulheres são diagnosticadas com câncer de mama por ano. Ele é três vezes mais comum do que os de cólon e reto e é 11 vezes mais frequente do que os linfomas. O Instituto Nacional do Câncer (INCA) estima que 57.960 mulheres serão acometidas pela doença no ano de 2017. O chamado Outubro Rosa é um movimento internacional e popular para conscientização e detecção precoce do câncer de mama. A Lupa se juntou à campanha e monitorou frases sobre o assunto postadas no Twitter nos últimos dias. Em parceria com o Hospital Albert Einstein, verificou o que é verdade e o que é mentira.

“Perguntei para a minha avó se eu podia pôr piercing no seio, e ela respondeu: quer ganhar um câncer de mama?”
FALSO
Não existe relação entre câncer de mama e piercing. O que pode ocorrer é uma inflamação local e até uma infecção, mas nunca o surgimento de um tumor. As próteses de silicone também não aumentam o risco de câncer. Pesquisadores em Los Angeles, na Califórnia, acompanharam 3.182 mulheres com implantes mamários por mais de 14 anos e mostraram que essas pacientes não apresentaram diferença na incidência da neoplasia. Portanto, os implantes mamários podem ser utilizados com segurança tanto em pacientes que desejam cirurgia estética, quanto naquelas com história pregressa de doença mamária.
Tamanho da mama
“O tamanho do seio influencia na probabilidade de ter câncer de mama.”
FALSO
O tamanho da mama não é considerado um fator de risco para o surgimento do câncer. É comum também uma mama ser um pouco maior do que a outra. Estatisticamente, sabe-se que a mama esquerda é um pouco maior, sem que isso acarrete um aumento da probabilidade de se desenvolver alguma doença. No entanto, a obesidade, que normalmente está relacionada a um número de sutiã grande, é, sim, um fator de risco para o desenvolvimento de tumores.
Acidentes
“Minha tia caiu da escada, bateu o seio e teve câncer de mama.”
FALSO
Um trauma mamário não tem a capacidade de causar câncer de mama, por mais intenso que seja. O que acontece, na maioria das vezes, é que o trauma leva à preocupação com as mamas – o que faz a paciente realizar exames de rastreamento que podem detectar alguma lesão que já estava presente antes.
Sexo oral
“Praticar sexo oral e engolir sêmen duas vezes por semana reduz o risco de câncer de mama.”
FALSO
Não há nenhum estudo que correlacione essa prática com a diminuição do risco de câncer de mama. Os fatores comportamentais que podem reduzir o risco de câncer de mama são controle do peso, alimentação saudável e consumo moderado de bebidas alcoólicas. No tocante às atividades físicas, a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) reforça a importância da prática regular, independentemente de peso e idade. A caminhada, por exemplo, é recomendada a qualquer mulher – além de ser uma atividade fácil e não ter custo. O conjunto dessas ações contribui para reduzir em até 28% o risco de se desenvolver a neoplasia.
Aleitamento materno
“Para cada 12 meses de amamentação, a mãe reduz 4,3% o risco de desenvolver câncer de mama.”
VERDADEIRO
Os benefícios da amamentação têm sido reportados em muitas pesquisas. Uma grande análise agrupada de 47 estudos estimou que, para cada 12 meses de amamentação, existe 4,3% de redução do risco para o surgimento do câncer de mama. O efeito protetor da amamentação é devido ao atraso no restabelecimento dos ciclos ovulatórios. Quanto mais jovem for a mãe no período da amamentação, maior será o benefício.
*As respostas foram elaboradas pelo mastologista Antônio Luiz Frasson, Prof. Adjunto Doutor – PUCRS e Titular no Núcleo de Mama do Centro de Oncologia do Hospital Albert Einstein (SP).



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